Minha breve experiência com a amamentação

 

Passamos boa parte da gravidez preocupada com o enxoval, quarto, parto entre tantas outras coisas, mas esquecemos de algo que vai durar um bom tempo após o parto que é a amamentação. Achamos que será algo totalmente instintivo e que fluirá naturalmente, afinal que problema teria em colocar um bebê no seio e deixar que mame em livre demanda? Pelo menos era assim na minha inocente cabeça de mãe de primeira viagem.

Meu parto foi normal e humanizado (o relato está nestes links 1,2 e 3), então logo após o parto pude ter a experiência de contato pele a pele com a minha bebê por uma hora e nesse meio tempo ela logo procurou o seio. Os meus seios já estavam cheios de leite e ela logo abocanhou com uma sucção que eu nunca vou saber descrever, a Valentina deixava até mesmo os especialistas em amamentação chocados com a força que ela tinha e o resultado disso: os dois bicos sangrando nas primeiras horas após o nascimento dela. Acredito que nos primeiros dias ela não tenha feito a pega incorreta, meus seios são pequenos, auréolas pequenas e quase não tenho bico então não tinha erro, ela fazia a boquinha pra mamar e abocanhava certo.

Na maternidade não houve problema, eu dormi somente uma noite e não foi necessário complemento em momento algum. Em casa as coisas começaram a ficar difíceis, a dor era muito forte, os peitos inchados de tanto leite e o que era pra ser fácil se tornou um dilema.

 

O núcleo Gestar Feliz onde fiz a hidroginástica e acompanhamento na gestação sempre nos conscientizou que a qualquer sinal de dúvida ou problema com a amamentação devíamos procurar o banco de leite o mais rápido possível antes que a situação se complicasse e foi o que eu fiz ainda na primeira semana que a Valentina nasceu.

 Durante uma semana passei minhas tardes no banco de leite que aqui em Palmas fica no Hospital Dona Regina, lá recebi o auxílio e amparo de uma equipe maravilhosa, verdadeiros anjos que me massageavam e me ensinaram todos os cuidados, aprendi a fazer a “ordenha” manual e corrigi a posição em que a Valentina pegava o seio.

Neste ponto, meu seio ainda sangrava e pra amamentar eu só conseguia mordendo um pano e chorando bastante. Tomei todos os cuidados que me ensinaram, pomada de lanolina, compressa fria pra diminuir a produção de leite, deixava os seios pegando sol e ar fresco, ordenhava antes de cada mamada e mesmo assim a situação não melhorava. Eu cheguei ao ponto em que a Valentina acordava pra mamar eu chorava de tristeza sabendo que começaria tudo outra vez, eu não tinha alegria em amamentar apesar de ser meu sonho, além disso, eu não conseguia descansar, quando ela dormia eu ficava ansiosa pensando que ela logo iria acordar e precisar mamar.

No final da primeira semana de vida da Valentina, as enfermeiras do banco de leite detectaram uma leve icterícia e me orientaram ir ao pronto socorro verificar a situação. O sangue foi colhido e tivemos que internar, eu vinha de uma semana exaustiva e tinha sido orientada a tirar um pouco do leite e deixar que ela mamasse na mamadeira pra que eu pudesse dormir pelo menos esta noite em especial, mas tivemos que passar a madrugada no hospital com ela no banho de luz. Segundo o pediatra que nos atendeu, o banho de luz faz com que o bebê fique mais faminto e a noite em que era pra eu dormir porque os seios estavam extremamente feridos tive que praticamente dormir com ela mamando, uma noite muito difícil.

Entrei em contato com a pediatra que me permitiu entrar com o complemento entre as mamadas para que alguém pudesse dar de mamar a meu bebê para eu poder dormir um pouco e descansar o seio. Infelizmente uma mamada que eu pulei me causou febre alta pela quantidade de leite acumulado, então mais uma vez ao invés de descansar fiquei sofrendo pelas dores no corpo. Nos dias que se passaram a situação continuava a mesma, mãe cansada, bebê guloso, seios feridos, leite demais. Tentei de tudo, apelei pro bico de silicone no seio e foi rejeitado, bombinha manual, pra extrair um pouco de leite para ela tomar na mamadeira, feria mais ainda os meus seios.

 

Quando a Valentina estava prestes a completar 15 dias tive uma crise de dor nos rins (que também tive na gestação e de novo no mês seguinte) e tive que passar o dia internada tomando medicação enquanto a minha pequena ficava com a vovó, nessa altura do campeonato ela já estava acostumada com o complemento entre as mamadas.

Quando ela completou 16 dias eu passei a não oferecer mais o peito, eu tinha chegado ao meu limite, não havia alegria em ser mãe, em cuidar dela durante o dia, só havia uma mulher esgotada e que acabava descontando em todos o stress de noites não dormidas e seios machucados.

Hoje eu me arrependo de ter sido firme nessa decisão, me pergunto por que não esperei o seio sarar pra tentar recomeçar tudo, mas ao contrário fui adiando essa volta e desisti.

O que aconteceu do 17º dia em diante não foi uma sucessão de culpa e melancolia por não ter conseguido amamentar, eu fui racional com as emoções, eu sei o quão benéfico é a amamentação e o leite materno, mas sei também que não há mal algum no leite artificial, é um momento de vínculo também. Depois que parei de sentir dor, me vi uma mãe melhor, mais disposta e alegre.

Este post não é uma apologia a deixar a amamentação e sim uma mensagem às mães que assim como eu por diversos fatores não conseguiram prosseguir com a amamentação exclusiva. Não se sinta culpada, não perca seu pouco tempo nesses primeiros difíceis dias pós parto se cobrando pelo que não conseguiu, foque em todo o resto e no seu bebê que precisa de uma mãe bem!

 

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17 Jun 2020

12 Feb 2020

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