Meu Parto - Parte Final

March 11, 2016

 

Nos encontramos com o Dr Alexandre e eu mal conseguia andar até a sala de parto. Ele me avaliou e pra minha alegria/tristeza estava com 7 cm e ele decidiu romper a bolsa, ou seja, caminho sem volta, Valentina estava vindo e de parto normal! Entramos em contato com meus pais, eu não tinha avisado antes para não gerar ansiedade e preocupação, minha mãe logo se encaminhou para a maternidade ao meu encontro.

 

Organizamos a sala, coloquei meu pen drive com a playlist que eu escolhi para aquele momento, fiquei bem a vontade e confortável para o início da maratona que viria pela frente.

A doula chegou às 01:30 e daí em diante eu já não conseguia verbalizar palavras, eram apenas gemidos vez por outra alguns gritos, eu tinha lido em algum lugar que gritar ajudava nessa hora, e bom, foi o que eu fiz. Exercícios de respiração, chuveiro quente na bola de pilates, agachamentos, alternávamos de acordo com o que me fazia sentir mais confortável.

Danniel não saía do meu lado, no chuveiro estava comigo segurando minhas mãos, enquanto agachava ele me segurava, até os exercícios de respiração ele e eu fazíamos juntos.

Minha mãe na sala ficava no canto dela, apenas orando e um pouco aflita de me ver sentindo dor.

 

Pedi pela cesariana mil vezes durante esse tempo, mas meu esposo já estava treinado pra dizer que não e continuar me dando forças, faltava tão pouco pra ela nascer, só eu que não sabia. Tudo estava correndo bem, o médico e a doula a todo momento acompanhavam os batimentos cardíacos da Valentina. Nesse ponto, comecei a me "desafiar" e a vontade de  descobrir até onde conseguiria suportar a dor é tão forte que segui em frente.

 

Comecei a sentir uma grande vontade de fazer força e já me sentaram na banqueta de parto, senti o circulo de fogo na entrada da vagina e sabia que estava coroando, às 04:16 Valentina Rodrigues Arantes nasceu ao som de “Hosanna” na voz de André Valadão, com 39 semanas e 5 dias, com 51 cm e 3.030 Kg no dia 22/08/2015.

 

Nasceu!!!! veio pros meus braços e eu jamais conseguirei descrever o que senti quando olhei pra ela, um misto de tantas emoções e eu orgulhosa de mim, tinha conseguido parir, como pude duvidar de minha força em algum momento? 

 

Do meu colo ela só saiu pra ser pesada depois de uma hora daquele contato gostoso, nós duas nos olhando, nos conhecendo, nos amando. O pai dela cortou o cordão umbilical só depois que parou de pulsar. Não foi feito necessário nenhum procedimento “padrão” na Valentina.

Sobre a dor, digo que é intensa, mas é suportável, eu sempre pensei assim quanto a todas as dores que senti na vida: vai passar, não vai ser eterna, uma hora acaba. E ao contrário do que todas pensam, o que dói mais são as contrações e não o bebê saindo.

 

Não tive episiotomia (pique, corte) a laceração aconteceu de forma normal e precisei apenas de alguns pontos, outra coisa que tinha pavor e não dói.

Devo dizer que tudo isso foi possível (meu parto sem nenhuma intervenção desnecessária) porque eu tinha um plano de parto onde o médico me deixou livre para escolher o que eu queria ou não que acontecesse durante o trabalho de parto (claro que se tudo estivesse correndo bem e nunca colocando minha vida e da minha filha em risco) e também porque tive o auxilio da minha doula e do meu marido, sem eles não conseguiria.

 

Horas depois do parto estava eu andando pela enfermaria, onde todos estavam admirados comigo, com minha recuperação, e eu deixei a modéstia de lado um pouco e me senti poderosa, mulher de fibra, me senti capaz de tudo, uma leoa de verdade.

 

Sem nenhuma dúvida, se tiver outro(s) filho(s) minha escolha será a mesma, o parto humanizado, afinal meu corpo sabe parir e meu filho sabe nascer.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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