Mamães Empreendedoras

February 26, 2016

 

 

 

 

 

Iniciamos a série "Mamães empreendedoras", onde divulgaremos o trabalho de mulheres que por causa da maternidade abriram seu próprio negócio. Se você tem uma experiência semelhante a da Giseli, envie-nos um e-mail com seu relato!

“Tudo o que vc tiver de fazer, faça o melhor que puder ”       

 

"Parece uma frase retirada de um livro qualquer de autoajuda né?  mas é uma parte de um versículo bíblico que me acompanha desde minha adolescência, a referência é Ecl. 9:10.

Me chamo Giseli, sou casada, mãe de uma garotinha serelepe de 3 anos, e artesã; Fui convidada pela Jack (minha cliente! rs) para contar aqui a minha experiência como artesã e como concilio isso à maternidade.

 

Então vamos lá.

 

Eu sempre trabalhei, fui ensinada a conciliar estudo e trabalho  desde muito cedo. Me casei aos 27 anos e continuei trabalhando fora, no inicio de 2012  descobrimos que eu enfim estava grávida, o plano era não retornar mais ao trabalho e me dedicar exclusivamente aos cuidados e criação da nossa menina; No final de 2102  ganhei  a Cecília, e aquele turbilhão de emoções e acontecimentos foram preenchendo meu tempo, de maneira que não me restava quase nenhum (rrss).

 

Faltavam alguns meses pra que ela completasse seu primeiro aninho, escolhemos o tema “ corujinha” e  garimpando a internet percebi que as corujas mais bonitas eram feitas de feltro, mas eu não sabia o que era feltro... pesquisei mais um pouco, olhei moldes, pap ‘s , vídeos, enfim,  concluí que não seria tãooo difícil fazer aquelas corujas. Comprei pouquinho  material , e lá fui eu tentar produzir as corujas para o primeiro ano da nossa menina.

 

Só que não era só a necessidade de fazer que estava me levando a fazer... era um querer fazer algo a mais... eu não podia/queria mais trabalhar fora,  mas ainda queria me sentir “útil” além da maternidade. Meu esposo fala que, quando eu estou me sentindo “útil” eu sou diferente, rrss.

É muito engraçado relembrar, eu não conseguia fazer nada durante o dia, ela mamava muito e não era a  bebê mais dorminhoca que já conheci...em seus poucos cochilos eu precisava fazer  tantas coisas que as corujas acabaram ficando pras madrugadas. Me lembro que peguei uma tirinha de feltro, e praticamente embaixo de um abajur, me pus a casear ( antes disso, não tinha a menor ideia do que seria casear), fiz uns pontos enormes, ganhei calos nos dedos, mas deu certo, eu queria fazer corujas e fiz 15! Na verdade acho que fiz o dobro disso, mas como sou um tanto “enjoada” só aproveitei 15 delas. 

 

A festinha foi  ótima, as corujinhas fizeram sucesso, escutei muitos elogios, todos queriam levar uma, foi muito bom! Mas  quando vejo meus primeiros trabalhos  uma vergonhazinha de mim mesma quer surgir, porque eram muito simples, frutos de inexperiência, mas eu afasto esses pensamentos e começo a lembrar que é a pratica que nos leva a excelência.

 

Logo depois,  eu mergulhei no universo do feltro... quanta coisa linda era possível fazer com aquele tecido! Eu queria praticar, e a melhor maneira de fazer isso era fazer para os outros, eu ainda não achava que os meus trabalhos  eram dignos de valores, e fiz algumas coisinhas gratuitas  para  amigas próximas,foi um período importante, porque me familiarizei nessa relação de “ fazer para o outro” e aperfeiçoei minhas precisões na execução das peças.

Depois de ter feito uns quatro trabalhos assim,  fiz uns bichinhos , fotografei e joguei na internet, não demorou e já comecei a receber mensagens perguntando se eu faria isso ou aquilo, preços e prazos ... comecei então a me dar  asas, meu esposo criou minha marca, Pequenina Feltros, com uma corujinha encima, claro!rrss

Colocamos Cecilia em um berçário por meio período, assim eu teria tempo  pra me dedicar ao feltro, mas as encomendas chegavam e somente a tarde não era suficiente, eu encarava as madrugadas também. 

 

Tive/ tenho muita procura, raramente tenho pedido de descontos encima dos preços dos meus artesanatos, e geralmente quem encomenda não desiste, eu tenho muito orgulho disso,  minhas clientes sempre voltam, me indicam , me jogam lá encima... Conheci muita gente legal, é um caminho  prazeroso e existe uma realização muito grande quando se conclui uma encomenda.  Eu tenho muito orgulho quando alguém me chama de artesã e quando vez por outra alguma mãe me encontra por aí e diz “ ei, eu te conheço, você é a Giseli dos feltros“ ... poxa, é muito legal.

 

Mas, esse trabalho que se faz em casa, não é fácil...não mesmo, tudo se mistura muito, é preciso separar as tarefas e horários,  manter  uma agenda controlando os prazos e ainda respirar fundo quando tudo “ dá errado” porque crianças não avisam quando vão adoecer e nem todas as  visitas  que a gente recebe  são programadas, então se eu disser que conciliar  isso é fácil, eu minto, não é! E quando eu digo que não é, eu quero dizer que há dias em que se chega à exaustão física e psicológica, porém, a dedicação no feitio das peças não pode ser abalada. E tem também o lado dos relacionamentos, a gente lida na maioria das vezes  com a ansiedade daquelas mães que vão ganhar seu bebê em breve, ou com aquelas que estão se preparando pra comemorar mais um ano de vida do seu filhote, então muitas e muitas vezes é necessário que eu retraia a minha ansiedade , exaustão e aflição, para lidar melhor com aquilo que estou fazendo para o outro. É um trabalho. Há pessoas esperando pra receber suas encomendas, então...

 

Certo dia me peguei em uma confusão... tempo de menos  e encomendas demais, vencido o sufoco, determinei que eu conseguiria deixar muita coisa pra depois em prol de finalizar minhas encomendas, mas uma coisa eu não adiaria, o tempo da minha família...esse, eu não poderia confundir, misturar ou adiar...essa deve ser a prioridade de qualquer pessoa. Trabalhos que fazemos em casa podem nos furtar tempos valiosíssimos com nosso bem mais precioso nessa terra. É preciso cuidado.

 

Há uns meses encerrei as encomendas, porque precisei tratar a coluna.  Nesse meio tempo tive muita procura, mas foquei no meu repouso e indiquei outras artesãs, esperando que desse tudo certo para as minhas clientes.

Agora recebi a proposta de ensinar, uma parceria muito legal da Raquel, proprietária de uma loja de aviamentos na cidade...estou empolgada com isso. Me dediquei muito pra conseguir realizar um trabalho limpo, bem acabado... um trabalho que me enchesse os olhos porque eu sempre fui a minha pior crítica, eu sabia que se eu gostasse, a cliente gostaria também.Graças a Deus, sempre deu certo e  essa oportunidade de ensinar, é fruto.

 

Por fim,  essa experiência de ser mãe e  ter um trabalho informal em casa, é intensa, mas é muito possível e muitíssimo satisfatório o retorno disso tudo.

Lembrando que a profissão de ARTESÃO , foi regulamentada, pra  quem deseja se aventurar nesse universo é bom dar uma pesquisada e entender a amplitude dessa regulamentação.

Lembrando também que  “ Tudo o que vc tiver de fazer, faça o melhor que puder ” e não terá como dar errado! 

 

Desejo sucesso à Jack, como mamãe, como blogueira, como tudo mais o que desejar ser!

 

E desejo  às mamães que passarem por aqui, muita saúde  para empreender muito, muito mais!"

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